Como calcular juros compostos: fórmula e passo a passo

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Juros compostos são juros que incidem sobre o valor inicial e também sobre os juros que já foram acumulados. É por isso que o dinheiro cresce cada vez mais rápido com o passar do tempo. Neste guia você vê a fórmula, um exemplo completo e como incluir aportes mensais.

O que são juros compostos

No sistema de juros compostos, ao fim de cada período o rendimento é somado ao saldo. No período seguinte, a taxa passa a incidir sobre esse saldo maior. O resultado é um crescimento que acelera: no começo a diferença parece pequena, e depois de muitos períodos ela se torna grande.

O mesmo mecanismo vale para dívidas. Um saldo devedor que não é pago também cresce sobre si mesmo, e por isso entender juros compostos ajuda tanto a investir quanto a evitar juros caros.

A fórmula dos juros compostos

Sem aportes, o valor acumulado depois de t períodos é:

M = C × (1 + i)^t
  • M é o montante, o valor total ao final.
  • C é o capital, o valor que você tem no início.
  • i é a taxa de juros por período, em forma decimal (1% vira 0,01).
  • t é o número de períodos.

A taxa e o tempo precisam estar na mesma unidade. Se a taxa é mensal, t é o número de meses. Se a taxa é anual, t é o número de anos.

Exemplo passo a passo

Suponha que você invista R$ 5.000 a 1% ao mês durante 12 meses.

  1. Converta a taxa para decimal: 1% = 0,01.
  2. Calcule o fator de crescimento: 1 + 0,01 = 1,01.
  3. Eleve ao número de períodos: 1,01^12 ≈ 1,126825.
  4. Multiplique pelo capital: 5.000 × 1,126825 ≈ R$ 5.634,13.

Os juros acumulados são a diferença: R$ 5.634,13 - R$ 5.000,00 = R$ 634,13. Se os juros fossem simples, o ganho seria de exatamente R$ 600,00 (1% de R$ 5.000 por 12 meses). A diferença de R$ 34,13 vem dos juros sobre juros.

Juros compostos com aportes mensais

Quando você adiciona um valor todo mês, cada aporte começa a render a partir do momento em que entra. Considerando que o aporte A é feito no fim de cada mês, o montante depois de n meses é:

M = C × (1 + i)^n + A × ((1 + i)^n - 1) ÷ i

A primeira parte é o capital inicial rendendo. A segunda é a soma dos aportes, cada um rendendo pelos meses que restam. Veja um exemplo com R$ 2.000 iniciais, aportes de R$ 300 e taxa de 1% ao mês, por 12 meses:

Primeiros três meses: R$ 2.000 iniciais, R$ 300 por mês, 1% ao mês
MêsJuros do mêsAporteSaldo no fim do mês
1R$ 20,00R$ 300,00R$ 2.320,00
2R$ 23,20R$ 300,00R$ 2.643,20
3R$ 26,43R$ 300,00R$ 2.969,63

Repetindo o processo até o mês 12, o saldo chega a R$ 6.058,40. Desse total, R$ 5.600,00 saíram do seu bolso (R$ 2.000 mais 12 aportes de R$ 300) e R$ 458,40 vieram de juros.

Erros comuns no cálculo

  • Misturar unidades. Usar uma taxa anual com número de meses, ou o contrário, dá um resultado sem sentido.
  • Dividir a taxa anual por 12. Nos juros compostos, a taxa mensal equivalente não é a taxa anual dividida por 12. Veja como converter taxa anual em mensal.
  • Ignorar a inflação. O valor final é nominal. O poder de compra dele é menor. O guia inflação e taxa real mostra como considerar isso.
  • Esquecer custos. Impostos e taxas reduzem a rentabilidade líquida e precisam entrar na taxa que você usa.

Como conferir a conta

Você pode refazer o exemplo na calculadora de juros compostos deste site. Ela aplica a mesma lógica mês a mês, mostra quanto veio de juros e exibe a tabela completa para você acompanhar cada saldo.