Inflação e taxa real: como descontar a perda de poder de compra

Atualizado em · 3 min de leitura

O valor final de uma simulação de juros compostos é nominal: ele diz quantos reais você terá, mas não quanto eles vão comprar. Para saber o poder de compra do resultado, é preciso descontar a inflação. Isso é feito com a taxa real.

Taxa nominal e taxa real

A taxa nominal é a rentabilidade que aparece no produto, sem qualquer ajuste. A taxa real é a rentabilidade depois de descontar a perda de poder de compra do dinheiro. Se o seu dinheiro rende 10% e os preços sobem 10%, você tem mais reais, mas consegue comprar a mesma quantidade de coisas.

A fórmula da taxa real

taxa real = (1 + taxa nominal) ÷ (1 + inflação) - 1

Exemplo: com rentabilidade nominal de 10% ao ano e inflação de 5% ao ano, a taxa real é 1,10 ÷ 1,05 - 1 ≈ 4,76% ao ano. Repare que o resultado não é 5%, que seria a subtração simples. A subtração é só uma aproximação, e o erro cresce quando as taxas são altas.

O efeito da inflação ao longo do tempo

A inflação também age de forma composta. A tabela mostra o poder de compra de R$ 100.000 guardados sem rendimento, com inflação de 5% ao ano:

Quanto R$ 100.000 compram, em dinheiro de hoje, com inflação de 5% ao ano
PrazoPoder de compra equivalente
1 anoR$ 95.238,10
5 anosR$ 78.352,62
10 anosR$ 61.391,33
20 anosR$ 37.688,95

Depois de 10 anos, os mesmos R$ 100.000 compram o equivalente a R$ 61.391,33 de hoje. É por isso que simular só o valor nominal pode dar uma impressão otimista do futuro.

Qual inflação usar

No Brasil, o IPCA é o índice oficial de inflação ao consumidor e o mais usado em contratos e comparações. Mas nenhum índice captura a perda de poder de compra de todo mundo. A cesta de consumo de cada pessoa é diferente, e há quem prefira acompanhar também outras referências, como o crescimento da oferta de moeda (M2). O mais importante é escolher uma referência, usar a mesma em todas as simulações e deixar claro qual foi.

Como usar a taxa real na calculadora

Para ver o resultado em dinheiro de hoje, informe a taxa real no campo de taxa de juros. Nesse caso, o aporte mensal deve ser entendido como um valor que acompanha a inflação, ou seja, que mantém o mesmo poder de compra ao longo dos anos.

Exemplo: R$ 10.000 iniciais, aportes de R$ 500 por mês, por 10 anos. Com taxa nominal de 8% ao ano, o resultado é de R$ 111.651,39. Com inflação de 4% ao ano, a taxa real é 1,08 ÷ 1,04 - 1 ≈ 3,85% ao ano, e o resultado em dinheiro de hoje é de R$ 87.362,00. A diferença de R$ 24.289,39 mostra o quanto a inflação pode pesar numa projeção longa.

Lembre-se: impostos e taxas também reduzem o retorno. Se quiser uma estimativa mais conservadora, desconte-os da taxa antes de converter para a taxa real.