Inflação e taxa real: como descontar a perda de poder de compra
O valor final de uma simulação de juros compostos é nominal: ele diz quantos reais você terá, mas não quanto eles vão comprar. Para saber o poder de compra do resultado, é preciso descontar a inflação. Isso é feito com a taxa real.
Taxa nominal e taxa real
A taxa nominal é a rentabilidade que aparece no produto, sem qualquer ajuste. A taxa real é a rentabilidade depois de descontar a perda de poder de compra do dinheiro. Se o seu dinheiro rende 10% e os preços sobem 10%, você tem mais reais, mas consegue comprar a mesma quantidade de coisas.
A fórmula da taxa real
Exemplo: com rentabilidade nominal de 10% ao ano e inflação de 5% ao ano, a taxa real é 1,10 ÷ 1,05 - 1 ≈ 4,76% ao ano. Repare que o resultado não é 5%, que seria a subtração simples. A subtração é só uma aproximação, e o erro cresce quando as taxas são altas.
O efeito da inflação ao longo do tempo
A inflação também age de forma composta. A tabela mostra o poder de compra de R$ 100.000 guardados sem rendimento, com inflação de 5% ao ano:
| Prazo | Poder de compra equivalente |
|---|---|
| 1 ano | R$ 95.238,10 |
| 5 anos | R$ 78.352,62 |
| 10 anos | R$ 61.391,33 |
| 20 anos | R$ 37.688,95 |
Depois de 10 anos, os mesmos R$ 100.000 compram o equivalente a R$ 61.391,33 de hoje. É por isso que simular só o valor nominal pode dar uma impressão otimista do futuro.
Qual inflação usar
No Brasil, o IPCA é o índice oficial de inflação ao consumidor e o mais usado em contratos e comparações. Mas nenhum índice captura a perda de poder de compra de todo mundo. A cesta de consumo de cada pessoa é diferente, e há quem prefira acompanhar também outras referências, como o crescimento da oferta de moeda (M2). O mais importante é escolher uma referência, usar a mesma em todas as simulações e deixar claro qual foi.
Como usar a taxa real na calculadora
Para ver o resultado em dinheiro de hoje, informe a taxa real no campo de taxa de juros. Nesse caso, o aporte mensal deve ser entendido como um valor que acompanha a inflação, ou seja, que mantém o mesmo poder de compra ao longo dos anos.
Exemplo: R$ 10.000 iniciais, aportes de R$ 500 por mês, por 10 anos. Com taxa nominal de 8% ao ano, o resultado é de R$ 111.651,39. Com inflação de 4% ao ano, a taxa real é 1,08 ÷ 1,04 - 1 ≈ 3,85% ao ano, e o resultado em dinheiro de hoje é de R$ 87.362,00. A diferença de R$ 24.289,39 mostra o quanto a inflação pode pesar numa projeção longa.